A mais adorável das desordens

Depois da tempestade de areia que soterrou todas as lembranças de tempos bons, me senti dentro de mim outra vez. Senti como se finalmente não houvesse mais poeira dos velhos sentimentos a me incomodar. Eu poderia dizer que, finalmente, toda a desordem que tomou conta de mim se fora de verdade. Voltei a amar as coisas e as pessoas que me cercavam como se todo o sofrimento nunca existisse ou como se tudo tivesse sido apagado da minha memória.
E num dia fantasiado de comum, percebi que tanto tempo insistindo para que todas as minhas lembranças também fossem colecionadas por você teve seu efeito somente agora. Me deparo com uma das memórias mais difíceis de apagar bem ali, nova em folha, trazida por você.
O que me surpreende mais foi não ter hesitado ao fazer a escolha de não voltar atrás. Não senti nostalgia, mágoa ou saudade de coisas que fiz questão de esquecer. Mais do que nunca, me sinto pronta para começar do zero outra vez. Quero seguir todos os passos do estar apaixonada, rindo e chorando quantas vezes for preciso. Já que o último romance foi remediado e não há mais vestígios dentro de mim, só me resta me submeter novamente a amar e ao amor, a mais adorável de todas as desordens.