Contrastes

Buscar incansavelmente a perfeição, encontrá-la, ser feliz. Talvez esse fosse exatamente o plano de vida dela e de quase todos os seus amigos. Já havia coisas demais na vida dela, e parar para pensar no que fazer se sua vida atingisse o ponto máximo de felicidade não fazia parte do seu dia-a-dia. E assim a vida ia seguindo como a areia fina da praia que suavemente escapa por entre os dedos. Só a busca já era suficiente para fazê-la feliz.
E num dia comum, veio a surpresa: a tão almejada perfeição estava diante de seus olhos. Cartas de amor, paixão pela arte, charmosas tentativas de conquista: quem ela sempre sonhou estava ali. Um quadro clássico onde o rapaz se põe de joelhos para cortejar a dama, que se sente lisonjeada com as palavras românticas de seu pretendente. Mas nesse caso, o problema está na mente da dama que, apesar de ter seu ego massageado, não pensa em aceitar nenhuma das investidas do tal moço. O romantismo exagerado fez com que ela se sentisse enojada ao ouvir palavras açucaradas. E foi assim, à beira de um amor com prazo de validade eterno que ela descobriu que amor idealizado não preenche seu coração.
Depois de constatar que esse não era o destino que queria para si, a moça desistiu de ser a protagonista da cena em que seria eternamente a protagonista frágil e passou a correr atrás do real. Ela percebeu que gostava mesmo dos defeitos, dos erros e de qualquer coisa que pudesse ser o contraste perfeito com o seu comportamento delicado e com os seus anos de árduo estudo. Decidiu arriscar, atirar-se num abismo que seria a única saída para fugir do relacionamento simétrico que estara prestes a entrar. E começou, outra vez, do zero.