Ensaio sobre perdas

Despedidas nunca foram parte da minha lista de prioridades. Como todo bom covarde, achei que seria esperto da minha parte se eu esperasse até me deparar com uma para saber o que fazer. Essa hora chegou e nada que pairasse em minha mente me foi útil. Busquei infinitos caminhos que iam opostos à dor, mas o fim da estrada sempre me deixava numa rua sem saída que me aprisionava ao sofrimento. Desisti de lutar e entreguei-me à sensação de vazio que tomou conta de mim.
Com a cabeça entre os joelhos e os braços enrolando as pernas, eu tentava amenizar os impactos da chegada de uma nova época – uma época em que seriam somente eu e meus pensamentos. Eu não queria acreditar que o sonho acabara. E mesmo buscando consolo em todo lugar, nada poderia me consolar além de braços fortes ao meu redor, protegendo-me de qualquer tipo de dano causado pelo lado de fora. Seríamos os dois em um só, tentando vencer as batalhas que travamos com nossa própria sorte.
Foi – e ainda é – difícil acreditar que os dias bons já se passaram e que não haverá mais braços quentes me envolvendo ou me mantendo segura. Mesmo que eu não me sentisse tão bem quanto antes nos últimos tempos e mesmo que os braços fortes já não me envolvessem mais, eu ainda me sentia tranquila. No fundo da minha mente, desbotado e quase esquecido, ainda havia algo que me fazia saber de que não me sentir tão segura quanto antes ainda não era o pior a acontecer. Em contrapartida, a ideia de que não se pode fugir dos passos largos que o tempo dá brilhava dentro de mim – um vermelho-sangue impossível de ser ignorado. Agora, ambos os pensamentos trocaram de posição: essa era a dor previsível que eu tinha a certeza de que, mais cedo ou mais tarde, eu teria que aprender a lidar.

Dois lados novos em folha

Escrevo no There are two sides há bastante tempo mas só agora senti vontade de mudar. Quis um layout novo, posts novos, paixões novas. E bem, aqui estou eu tentando por em prática os meus planos. Claro que vai demorar um pouco, o blog ainda está sujeito a várias mudanças antes de chegar no produto final. Não abrirei mão de algumas coisas como o nome (sempre achei que “Existem dois lados” fosse o melhor título pra expressar todos os meus textos), a imagem do vinil (acreditem, eu até tentei mas há certas coisas que só ficam bem se não mudarem) e é claro, a assinatura meio torta da autora Branca de Neve (meio-torta) no final de cada post.
Finalmente criei coragem para arquivar os posts por categorias, tags e tudo o que me for de direito. Aliás, decidi também socializar. Os posts não ficarão mais às escuras e estarei aberta a mais comentários, críticas ou o que quer que venha.
Enquanto o blog não chega ao seu destino final, estou preparada pra curtir cada fase dessa nova fase de mudanças.