A persistência da memória

Arrastam-se os dias, vão-se os anos. Trezentos e sessenta e cinco dias dias parecem ser tão escassos… Todos temos a certeza de que um ano é um período de tempo muito curto. E por ironia do próprio tempo, temos a impressão de que um dia parece demorar muito mais. E enquanto os dias caminham numa fila lenta, os anos são atletas que correm e não olham para trás. Cabe a nós fazer retrospectivas para ajudar nossa memória a cumprir seu papel de tomar nota de tudo o que já passou. Cada um de nós, como parte singular que compõe um todo, possui uma história única e diferente de qualquer outra que já existiu. Entretanto, há momentos em que vidas se cruzam e a história inicial, que parecia ter somente um dono, passa a se misturar com a do outro, dando novas cores à imensa tela que chamamos de vida. 

A partir daí, pode-se notar a presença de cores inéditas ou de pequenos espaços brancos que finalmente estão sendo preenchidos. A grande beleza está em pintar cada uma das partes dessa tela, seja sozinho ou com a ajuda de alguém especial o bastante para receber o título de colaborador. Todos os dias, sejam eles longos ou não, pintamos um pequeno detalhe de nossas telas. Os anos são áreas maiores, mais fáceis de serem identificadas e relembradas. E ano após ano, é possível notar o desenvolvimento de um trabalho original, onde cada detalhe representa cada um que esteve presente em nossa caminhada contraditoriamente solitária. 

E mesmo que a pintura seja bruscamente interrompida, não perderá sua grandiosidade. Cada uma de nossas telas possui um valor incalculável e não se perderá somente por uma ou duas finalizações erradas. A beleza mais admirável encontra numa pintura inacabada, que despertará a curiosidade dos que ainda a admiram. Pensamentos como que técnicas o autor usaria se sua história se cruzasse com a de outras pessoas são o elemento principal que move a consciência dos que ficaram a contemplar a arte inacabada. As pinceladas que ficaram são a trajetória de uma vida inteira, o retrato de uma história que ficará guardado no banco de ilustrações da memória dos que ainda tem um pincel à mão. Imagem

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