Do surreal ao romântico

Tão bom lembrar dos dias doces em que eu podia desfrutar da sua presença ao meu lado, sem exigências ou grandes cobranças. Éramos somente nós dois, produtos de uma felicidade que não se atrevia a se anunciar. Eu o tinha recostado em meus ombros, brincando com o pingente que nunca mais ousou sair do meu pescoço desde o meu último aniversário. Embora o pingente fosse de um pássaro em pleno voo – o mais sutil retrato da liberdade-, era a representação perfeita para o nosso compromisso. Tínhamos um laço, quase um nó; ainda assim nos sentíamos inteiramente livres quando estávamos na companhia do outro.
Mesmo envolvendo meus braços ao seu redor para afastar o frio, eu acreditava que era eu quem estava sendo aquecida. Sua presença dentro do meu abraço confortava-me o suficiente para que eu esquecesse dos problemas que insistiam para serem resolvidos. Nada mais tinha valor enquanto eu podia tê-lo bem ao meu alcance.
Fingindo estar interessada na ficção científica que rendeu inúmeros comentários seus durante todo o caminho de casa, eu obrigava os meus olhos a voltarem-se para as criaturas sobrenaturais que tanto me foram faladas. O que me importava de verdade era ter você confortável, feliz e junto a mim. Me peguei contendo alguns sorrisos, mas não pude controlar a vontade de beijá-lo até que a tal ficção científica tivesse se transformado numa irresistível comédia romântica, onde a imensidão do amor do casal protagonista duraria muito além dos créditos finais.

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