Ensaio sobre perdas

Despedidas nunca foram parte da minha lista de prioridades. Como todo bom covarde, achei que seria esperto da minha parte se eu esperasse até me deparar com uma para saber o que fazer. Essa hora chegou e nada que pairasse em minha mente me foi útil. Busquei infinitos caminhos que iam opostos à dor, mas o fim da estrada sempre me deixava numa rua sem saída que me aprisionava ao sofrimento. Desisti de lutar e entreguei-me à sensação de vazio que tomou conta de mim.
Com a cabeça entre os joelhos e os braços enrolando as pernas, eu tentava amenizar os impactos da chegada de uma nova época – uma época em que seriam somente eu e meus pensamentos. Eu não queria acreditar que o sonho acabara. E mesmo buscando consolo em todo lugar, nada poderia me consolar além de braços fortes ao meu redor, protegendo-me de qualquer tipo de dano causado pelo lado de fora. Seríamos os dois em um só, tentando vencer as batalhas que travamos com nossa própria sorte.
Foi – e ainda é – difícil acreditar que os dias bons já se passaram e que não haverá mais braços quentes me envolvendo ou me mantendo segura. Mesmo que eu não me sentisse tão bem quanto antes nos últimos tempos e mesmo que os braços fortes já não me envolvessem mais, eu ainda me sentia tranquila. No fundo da minha mente, desbotado e quase esquecido, ainda havia algo que me fazia saber de que não me sentir tão segura quanto antes ainda não era o pior a acontecer. Em contrapartida, a ideia de que não se pode fugir dos passos largos que o tempo dá brilhava dentro de mim – um vermelho-sangue impossível de ser ignorado. Agora, ambos os pensamentos trocaram de posição: essa era a dor previsível que eu tinha a certeza de que, mais cedo ou mais tarde, eu teria que aprender a lidar.

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