Racionamento de amor

Lutei, acreditei, insisti. E mesmo com tamanha força de vontade, meu amor não foi forte o suficiente para suportar as pancadas do tempo. Quis mudar o rumo da história sem saber como; quis que o tempo retrocedesse e que eu voltasse a nadar no antigo mar de amor que outrora me fizera irradiar felicidade dos olhos. E das mãos.
Os momentos em que fechei os olhos para que se tornassem intermináveis se foram. Passei a fechar os olhos, então, na tentativa de atenuar minha dor e de ficar cega ao que me me fazia tão infeliz. Não foi fácil. Meus olhos enxergavam lembranças onde quer que estacionassem. Ao meu redor, tudo parecia ser sinônimo ou fruto de um amor que trazia tempestades para dentro e fora de mim. A ideia de ter que abandonar tudo que me inspirava foi se tornando mais dolorosa a cada dia. Eu teria que ficar com o segundo lugar para que a corrida finalmente acabasse, quando por mim, a corrida seria eterna. Meu corpo me impediu e tive que me contentar com um lugar muito abaixo do que eu mesma esperava. E saber que desistir de lutar não era a coisa certa a fazer só multiplicava a dor.
Os dias se dissolviam a cada por do sol e com eles também partia a minha vontade de viver. Meus ânimos eram escassos. Nos dedos de uma só mão cabiam os sorrisos, que saíam forçadamente de um corpo cuja única vontade era a de desaparecer. Após um longo período em que apenas assisti o passar de cada dia lamentando-me pelo amor que meus braços deixaram escapar, eis que surge um ponto final em meu pseudo-autismo.
Agora, me encontro num estado de letargia. Não durmo, não vivo; apenassou levada pela maré. Não hesito, não intervenho, não estrelo. Mas não pense você que todo o amor que estava dentro de mim foi jogado ao vento, porque não foi. Admito que quase não há mais amor dentro de mim. Quase. Por isso, não posso gastar o pouco que sobrou para assistir cenas de um passado morto. Ainda que haja uma centelha de esperança, aviso=me todos os dias que não há como reverter o que já passou. O passo seguinte é converncer-me de que o próximo mar de amor que encontrarei pelo caminho não será igual ao último. Ainda não sei se encontrarei um que me deixe tão cheia de luz quanto o outro, na verdade. A certeza que carrego é a de que, enquanto eu não descobrir a minha próxima fonte de inspiração, terei que economizar os meus bons sentimentos até a última gota.

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