181 dias de amor

E que papel tem o tempo senão me afastar de quem eu amo? Sinto-me inútil, ausente, distante. Apesar de estar perto do meu par de felicidade, os dias agora são cobertos por uma densa camada de solidão. Sem o contato com a cor acobreada do outono, sinto que meus olhos estão ficando foscos a cada piscar. Sem o doce e angelical perfume das flores, enfraqueço a cada passo. E quando finalmente posso ter acesso à minha alegria sazonal, fico tão preocupada em consumi-la até os meus limites que acabo por não me saciar; abro a boca e tento engolir tudo antes mesmo de morder. E então fico ainda mais seca do que antes. Tive os sorrisos mais brilhantes na palma de minhas mãos mas não fui perspicaz o suficiente para agarrá-los. E a espera até que as minhas estações favoritas cheguem até mim outra vez é o que me faz almejá-las mais e mais a cada vinte e quatro horas. Planejo tanto, imagino tanto. E quando a hora chega, me fogem as ações. Não sei o que fazer e gasto o meu precioso tempo tentando lembrar o que eu gostaria de ter feito antes.
Apesar de falhar a cada vez que tento expor o quanto o verão e o inverno passam devagar para que finalmente cheguem primavera e outono, sinto que dentro de cada um, vive e cresce o amor que eu semeei tantas estações atrás. Sei disso porque, dentro da parte mais íntima do meu ser, há espaço suficiente para comportar o amor que se direciona unicamente a eles. Um amor que faz com que eu consiga esperar o tempo quase infinito que verão – e principalmente inverno – levam para ir embora, para que finalmente eu possa desfrutar da cor de outono que dá vida aos meus olhos e da simplicidade das flores que dão aos meus pés a direção.
E durante as minhas estações, o tempo torna-se escasso. Apesar de querer tornar os momentos intermináveis, não consigo. Tempo e distância são grandezas que só uma força maior do que eu consegue controlar. Mas dá-se um jeito em quase tudo, do meu ponto de vista. E então, mesmo gastando o meu precioso tempo tentando arrumar mais tempo, consigo mostrar a eles que o amor que vive dentro de mim não morreu. Ou pelo menos, é o que tento dizer por meio de pequenas frases, que de tão pequenas que são, não sei se comportam todo o sentimento que coloco nelas. E isso é o que me dá forças para esperar. E principalmente, o que faz com que as estações tornem recíproco o meu eterno amor.

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