Situação limite

A sorte se encarregou de pintar cada um dos últimos dias com uma cor forte, brilhante e de uma beleza inenarrável. Foram dias memoráveis, que ficarão presos no inconsciente de qualquer um que tente esquecê-los. Tudo era luz. Luz, beleza, elegância, felicidade e euforia. E de acordo com o passar do tempo, os dias ficavam melhores. Ela sentia um leve desgosto ao pensar que até a perfeição tinha um fim. Mas esse fim era recompensado por um recomeço, que enchia o seu corpo com uma vontade imensa de viver, de sorrir e de sentir o vento no rosto enquanto caminhava por ruas que pareciam ter sido tiradas de algum filme. Tudo conspirava a seu favor, para a sua sorte. Sorte essa que um dia a traiu. Depois de viver tantos dias que eram verdadeiros presentes, era impossível não confiar na sua única amiga. Ao despertar triunfantemente esperando o começar de um novo dia, ela se deparou com o comum, o que a deixou completamente inquieta. Talvez estivesse faltando apenas um detalhe, mas que iria fazer uma diferença gigantesca. Mesmo sem paz, ela esperou pacientemente a chegada de um outro dia, e sua espera foi em vão. O tão esperado outro dia era tão comum quanto o anterior. E agora, viver não fazia mais sentido algum, não sem a graça dos dias passados. A ela agora, sobrava tempo para pensar no que havia acontecido de errado. E então, ela finalmente chegou em um consenso: talvez os dias não fossem aquilo que ela realmente achava. Talvez a sorte não fosse sua amiga, e sim uma qualquer que tinha o dom de desfazer o que já estava feito. “Mas ainda há uma saída”, ela pensou. E quando olhou para trás, seu passado estava intacto, como se nada marcante tivesse acontecido. E então ela confirmou a hipótese do seu passado ter sido somente uma ilusão. Já que seus planos não estavam dando certo, ela tentou fazer as coisas mais infantis, tentando buscar uma saída para acabar com o desespero que lhe consumia gradativamente. Tentou então prever o futuro, mas este estava coberto pela sorte. Quando se deu conta de onde estava, ela percebeu que não poderia avançar nem recuar: presa no passado; com medo de viver o futuro. Aquele era o momento do recomeço, mas ela era livre para escolher se queria recomeçar ou se preferia ficar onde estava. E de repente, o surto de realidade: “Tenho que viver o agora”, ela murmurou para si mesma. Um agora que estava pronto para ser vivido, mas que não seria a mesma coisa do passado. Mas primeiro, a vontade de recomeçar teria que, um dia, sorrir para ela.

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Um comentário em “Situação limite

  1. Do "O" disse:

    Muuuuuuuito marina fico muito legal.
    HA eu fui o primeiro a ler.
    tu devia pensar em escrever livros…
    bjo

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